A Samsung SDS, subsidiária de serviços de TI e logística do grupo Samsung, está em negociações com a Dunamu — operadora da Upbit, a maior corretora de criptomoedas da Coreia do Sul — sobre infraestrutura de stablecoin e um modelo de pagamento orientado por IA, segundo reportagem da Cointelegraph publicada em 30 de julho, que revelou o contato entre as duas empresas. O negócio principal da Samsung SDS é ERP corporativo, logística transfronteiriça e sistemas de liquidação de pagamentos B2B — não carteiras para consumidor final; já a Dunamu é uma das provedoras de serviços de ativos virtuais licenciadas com maior volume de negociação na Coreia do Sul. Em outras palavras, trata-se de um contato em nível de camada de liquidação empresarial — o assunto é “como fazer a liquidação entre empresas rodar em stablecoin”, não “quando será lançado um cartão”. Até o fechamento desta matéria, nenhuma das partes anunciou acordo formal, nome de produto ou cronograma de lançamento.
Análise editorial: quem é afetado e quando
Vamos direto à conclusão: quem já possui qualquer cartão virtual USDT não precisa fazer nada em 7, 30 ou 90 dias.
O motivo é simples: a cadeia de um cartão virtual em stablecoin funciona assim: “depósito em stablecoin → custódia/conversão pelo emissor → rede de autorização da bandeira (Visa/Mastercard) → adquirência do estabelecimento”. O que Samsung SDS e Dunamu estão discutindo é uma camada fora dessa cadeia — compras corporativas, liquidação de cadeia de suprimentos, remessas B2B transfronteiriças. Por mais que essa camada mude, isso não altera o caminho de autorização quando você usa o MPCard (cuja variante editorialmente recomendada é o MPCard Asia Elite) para pagar o ChatGPT Plus.
Três perfis de usuário merecem um pouco mais de atenção:
- Usuários com consumo predominantemente local na Coreia do Sul. Se, no futuro, uma infraestrutura de stablecoin liquidada em won efetivamente se concretizar, o primeiro elo a se beneficiar será o de “comerciantes online dentro da Coreia + adquirência local”. Hoje, o problema de disponibilidade no cenário coreano está principalmente no lado do comerciante e na consistência regional da conta, não no cartão em si — veja nossa seleção de cartões USDT para a Coreia do Sul.
- Usuários de cartões emitidos por corretoras. Produtos como o Bybit Card, emitidos diretamente por corretoras, tendem no longo prazo a ficar mais atrelados às licenças e canais bancários da própria corretora. Se a Dunamu de fato se tornar um nó da liquidação de stablecoin na Coreia do Sul, a probabilidade de mudanças na estratégia regional de produtos ligados a corretoras é maior do que a de emissores independentes.
- Usuários com pagamentos corporativos. Se você usa um cartão U para pagar assinaturas SaaS ou anúncios da empresa, esta notícia tem o sinal mais relevante: um player do porte da Samsung SDS começando a tratar a stablecoin como “ferramenta de contas a pagar” sugere que, por volta de 2027, os canais de pagamento corporativo em USDT devem estar mais regulamentados do que hoje — mas isso também significa exigências de KYB (verificação de pessoa jurídica) mais rígidas. Quem não conhece a estrutura básica de um cartão U pode começar por o que é um cartão U.
Comparação histórica: o que muda em relação a 2023 e 2024
Semelhanças: novamente uma combinação de “grande empresa + corretora licenciada”. Por volta de 2023, o Japão seguiu esse caminho — grandes instituições financeiras e alianças bancárias lideraram a infraestrutura de emissão de stablecoin, com corretoras responsáveis pela entrada de liquidez. O resultado: o avanço regulatório foi rápido, mas os produtos de emissão de cartões para consumidor final praticamente não se beneficiaram diretamente — a stablecoin em iene até hoje não virou um cartão que se usa para pagar a Netflix. Esse retrospecto pode ser conferido no nosso guia de conformidade do Japão.
As diferenças são duas. Primeiro, a narrativa de parcerias da era Ethereum/Klaytn em 2023 tinha como protagonistas blockchains públicas e soluções técnicas; desta vez, o protagonista é uma empresa de sistemas (SI) especializada em ERP corporativo e liquidação logística, com foco em contas a receber e a pagar — um ciclo comercial mais concreto. Segundo, o contexto regulatório mudou. Na Coreia do Sul, a partir de 19 de julho de 2024 entrou em vigor a Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais (VAUPA), que tornou obrigatória a segregação de ativos dos usuários pelas corretoras e o monitoramento de transações anômalas; com base nisso, desde 2025 as discussões legislativas sobre uma stablecoin em won passaram a ter um arcabouço concreto para se apoiar. Já as parcerias semelhantes de 2023 foram negociadas sem uma lei principal — a maioria dessas propostas acabou estagnada em fase de prova de conceito (PoC).
Portanto, minha avaliação é: a probabilidade desta negociação “dar certo” é maior do que a daquela leva de notícias semelhantes em 2023, mas a distância entre “acordo fechado” e “consumidor conseguindo usar o cartão” continua grande.
Onde estão os limites regulatórios
É preciso deixar três linhas claras:
- Expressamente permitido: comprar e vender USDT por meio de um VASP licenciado dentro da Coreia do Sul, e transferir USDT para uma carteira sob seu próprio controle.
- Zona cinzenta: a qualificação da entidade emissora de uma stablecoin cotada em won, a custódia de reservas e as garantias de resgate ainda não têm legislação definida; a divergência pública entre a FSC e o Banco da Coreia (BOK) sobre “se a emissão deve ser liderada por bancos ou aberta a instituições não bancárias” continua em aberto. É possível acompanhar os documentos de política no site em inglês da Comissão de Serviços Financeiros.
- Risco operacional a observar: a questão não é “se é legal”, mas “se há consistência”. Usar uma conta registrada na Coreia do Sul junto com um cartão de BIN fora da Ásia-Pacífico para pagar uma assinatura costuma resultar em recusa por incompatibilidade regional no controle de risco, não por proibição regulatória. É por isso que sempre priorizamos, como critério principal de seleção, o alinhamento entre conta na Ásia-Pacífico + IP na Ásia-Pacífico + BIN de cartão na Ásia-Pacífico — veja a seção sobre BIN e região na análise do MPCard.
Nosso site ainda não tem uma página de conformidade específica para a Coreia do Sul; as referências mais próximas no Leste Asiático são Conformidade no Japão e Conformidade em Hong Kong.
Quatro pontos para acompanhar a seguir
- Se a Samsung SDS e a Dunamu vão publicar um memorando de entendimento (MOU) formal ou anúncio de joint venture. Por ora, tudo está “em discussão” — de discussão a MOU costuma levar de 1 a 2 trimestres.
- O andamento da apreciação legislativa do projeto de lei de stablecoin na Coreia do Sul, em especial se a entidade emissora ficará restrita a bancos. Isso determina se a Dunamu poderá atuar como emissora ou apenas como canal de distribuição.
- Se surgir a combinação “Samsung Pay + stablecoin”. Caso apareça, isso indicará que a frente de batalha migrou do B2B para o consumidor final — só então será necessário reavaliar as opções de cartão para o cenário coreano.
- Se a política de depósito/saque de USDT na Upbit será ajustada em decorrência disso. Essa é a mudança que o usuário comum vai perceber primeiro — mais concreta do que qualquer MOU.
Recomendação editorial
- Quem já possui MPCard, Bybit Card ou qualquer outro cartão virtual USDT: nenhuma ação necessária. Esta notícia não altera depósitos, taxas de câmbio ou caminhos de autorização.
- Usuários coreanos prestes a solicitar seu primeiro cartão: não adie a decisão esperando por um “cartão de stablecoin em won”. Da infraestrutura de liquidação empresarial até a emissão de cartões para consumidor final, historicamente nunca levou menos de dois anos. Escolha o cartão conforme sua necessidade atual — consulte seleção de cartões para a Coreia do Sul e o Top 5 de cartões USDT de 2026.
- Usuários que pagam assinaturas com cartão U: foque na consistência regional, não nesta notícia. Ao pagar o ChatGPT Plus (US$20/mês, oficial) ou o Claude Code e ter o pagamento recusado, em nove de cada dez casos o problema está na incompatibilidade entre a região da conta e o BIN do cartão.
- Usuários corporativos: organizar a documentação de KYB desde já compensa. À medida que os canais corporativos de stablecoin se tornam mais regulamentados, as exigências de verificação de identidade só tendem a aumentar, nunca a diminuir.
Todas as taxas e limites devem seguir as páginas oficiais do emissor do cartão; não realizamos testes independentes on-chain — todos os fatos apresentados neste artigo podem ser verificados nas fontes oficiais e reportagens originais listadas em “sources” acima.