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FMI alerta sobre a expansão acelerada de stablecoins no Brasil: o maior mercado de stablecoins da América Latina — o que isso significa para usuários de cartões USDT

2026-07-29

O Fundo Monetário Internacional (FMI), em uma análise recente sobre o Brasil, aponta que o país se tornou o maior mercado de stablecoins da América Latina — e que essa velocidade de crescimento por si só está criando novas exposições a risco. Segundo a reprodução da Tokenpost da reportagem da Cointelegraph de 13 de julho, os dados centrais do FMI são três: do volume de criptomoedas já reportado no Brasil, 88,7% são tokens atrelados ao dólar; o volume mensal de stablecoins é de cerca de USD 6 a 8 bilhões; e o crescimento do fluxo de stablecoins é cerca de 3 vezes mais rápido do que os fluxos de capital transfronteiriços tradicionais. A conclusão do FMI não é de que “as stablecoins vão quebrar”, mas sim de que “a transmissão será mais rápida” — quando quase 90% da poupança e dos pagamentos denominados em moeda local passam por tokens em dólar, o tempo que um choque global de liquidez em dólar leva para chegar aos balanços dos residentes brasileiros se comprime, de semanas para dias ou mesmo horas. Os documentos relacionados podem ser rastreados na página do Brasil no site do FMI.

Interpretação editorial: essa notícia vai afetar o seu cartão

Vamos direto à conclusão: em 7 dias, praticamente nada perceptível deve mudar. O FMI é um órgão de consulta e recomendação, não um emissor de licenças — seu relatório não gera controles imediatos sobre cartões. Quem de fato vai agir é o Banco Central do Brasil (BCB) e os critérios tributários.

Mas para três tipos de usuários, o caminho no médio prazo é diferente:

Primeiro tipo: usuários brasileiros locais que tratam o USDT como “poupança em dólar” e gastam com cartão. Esse é o grupo real por trás do número de 88,7%. O ponto de dor desse grupo nunca foi “se dá para gastar”, mas sim a taxa de câmbio e as tarifas na etapa de conversão para BRL. É justamente esse grupo que deveria observar mais de perto a rota de liquidação em moeda do emissor do cartão — liquidar USDT diretamente em USD para depois a bandeira converter em BRL é uma estrutura de custo completamente diferente de converter primeiro para BRL em uma plataforma local e depois carregar o cartão. Fizemos essa comparação em Escolha de cartão USDT para usuários no Brasil.

Segundo tipo: usuários que usam identidade ou IP brasileiro para solicitar cartões de linha Ásia-Pacífico ou global. Aqui o risco não é uma proibição regulatória, mas sim a consistência regional. A variante Asia Elite na análise do MPCard é um Visa virtual de linha Ásia-Pacífico, cujo posicionamento oficial é a combinação de conta Ásia-Pacífico + IP Ásia-Pacífico + BIN de cartão Ásia-Pacífico; usá-lo com KYC local brasileiro + IP brasileiro + comerciantes em BRL configura um uso fora da região, o que naturalmente aumenta a taxa de acionamento dos controles de risco. Da mesma forma, na análise do Bybit Card, as regiões disponíveis e os requisitos de KYC seguem a página oficial, e a elegibilidade de abertura para residentes brasileiros já foi ajustada várias vezes nos últimos dois anos.

Terceiro tipo: usuários que usam cartão USDT para pagar assinaturas em dólar no exterior, como no cenário de assinatura do ChatGPT Plus (USD 20/mês). Esse tipo de cobrança é denominado em USD e passa pelo canal transfronteiriço da bandeira do cartão; o relatório do FMI não tem impacto direto sobre isso — o que é afetado é apenas o ágio de BRL/USDT na etapa de depósito.

Expectativa de janela temporal: nenhuma mudança em 7 dias; em 30 dias, é possível que plataformas locais ajustem campos de declaração cambial ou exijam comprovação adicional da origem dos fundos; em 90 dias, se o BCB apertar os critérios para transferências transfronteiriças de stablecoins, os primeiros afetados serão os canais locais de entrada e saída de moeda fiduciária, não a autorização de uso do próprio cartão.

Comparação histórica: mais parecido com o MiCAR do que com a desvinculação de 2023

É diferente da desvinculação do USDC em março de 2023. Aquele caso era um risco de resgate do próprio ativo, e o impacto se manifestou diretamente em alguns emissores suspendendo temporariamente depósitos em determinada moeda, com o saldo contábil dos usuários encolhendo. Desta vez, o FMI está falando de dependência estrutural — não há nenhum evento de resgate, então não existe a questão de “trocar de moeda imediatamente”.

É mais parecido com a entrada em vigor do capítulo de stablecoins do MiCAR da UE, em 30 de junho de 2024. Naquele caso também houve primeiro um órgão regulador apontando que “as stablecoins em dólar têm participação excessiva nesta região”, e só depois isso se traduziu em ações do lado do produto de emissores e exchanges — algumas plataformas ajustaram os pares de negociação de stablecoins e a disponibilidade de produtos de cartão na zona do euro. O caminho foi: relatório → legislação/regras detalhadas → ajuste de produto na plataforma, um processo que levou mais de um ano. O Brasil atualmente está entre a primeira e a segunda etapa dessa cadeia; o BCB já vem avançando nos últimos anos com a autorização de prestadores de serviços de ativos virtuais e com um marco cambial para transferências transfronteiriças de stablecoins (os termos específicos e datas de vigência devem ser confirmados no site do Banco Central do Brasil).

Vale também a comparação com a Argentina: um caso semelhante de substituição por tokens em dólar impulsionada por alta inflação, mas a Argentina historicamente opta por controles de capital, enquanto o Brasil segue uma linha de “incorporar à regulação em vez de proibir”. Essa diferença determina que o Brasil deve, provavelmente, enfrentar um aumento no custo de conformidade, e não o desaparecimento dos canais.

Fronteira regulatória: onde estamos agora

Para residentes brasileiros, possuir e usar stablecoins em dólar não é claramente proibido; negociar por meio de VASPs licenciados também é claramente permitido; o que está em zona cinzenta são os critérios de declaração para transferências transfronteiriças de grande valor e o tratamento tributário caso as stablecoins passem a ser classificadas como instrumento cambial. A recomendação do FMI, por si só, não altera a posição dessas três linhas — apenas aumenta o incentivo para que os reguladores as definam com clareza o quanto antes.

Comparando com uma amostra que já percorreu todo o processo, o guia de conformidade do MiCAR da UE ilustra melhor a forma completa de “relatório se transformando em restrição de produto”; se você é titular de identidade da China continental e usa cartões na América Latina, consulte também a parte sobre entrada e saída de fundos no território em Situação de conformidade na China continental. Leitores que não estão familiarizados com a lógica básica de liquidação dos cartões U podem começar por O que é um cartão U.

O que observar nos próximos 30 a 90 dias

  1. Os documentos de consulta do Artigo IV do FMI com o Brasil: se as stablecoins forem elevadas de “item de observação de estabilidade financeira” para “item de recomendação de política” — a mudança de linguagem é um indicador antecipado.
  2. Os marcos do período de transição do BCB para a autorização de VASPs e o marco cambial: a lista de autorizados e a data de vigência devem ser confirmadas no anúncio oficial; a disponibilidade dos canais locais de entrada e saída de fundos depende diretamente disso.
  3. O ágio de mercado paralelo de USDT/BRL: um alargamento persistente do ágio geralmente indica um aperto na entrada e saída de moeda fiduciária, e costuma antecipar em cerca de duas semanas qualquer comunicado oficial.
  4. Atualizações nas páginas regionais dos emissores de cartão: as páginas de elegibilidade de abertura e requisitos de KYC no Brasil da Bybit, RedotPay e outros historicamente já sofreram ajustes silenciosos, sem aviso prévio.

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