O veículo alemão de notícias sobre criptoativos BTC-ECHO colocou a contagem regressiva sobre a mesa em uma reportagem: o USDT, a stablecoin de maior capitalização de mercado do mundo, pode deixar de ser negociado em exchanges reguladas dos EUA a partir de julho de 2028. A data não é uma suposição — vem do GENIUS Act (S.1582), lei sancionada nos Estados Unidos em 18 de julho de 2025, que estabelece um período de transição de três anos a partir da data de promulgação para os “prestadores de serviços de ativos digitais”. Depois desse prazo, as plataformas reguladas que oferecem serviços de negociação, custódia e liquidação a cidadãos americanos só poderão lidar com “permitted payment stablecoins” emitidas por entidades licenciadas em nível federal ou estadual. A estrutura atual de emissão offshore da Tether não se enquadra nesse critério. A resposta da empresa foi abrir uma linha paralela: em setembro de 2025, a Tether anunciou uma stablecoin independente voltada ao mercado americano, a USA₮, com a Anchorage Digital Bank como entidade emissora (ver a página oficial de notícias da Tether).
Interpretação editorial: o que essa notícia realmente afeta é o “canal”, não a “paridade”
Vamos primeiro separar a parte mais fácil de interpretar mal. Isto não é um evento de despeg, não é uma dúvida sobre reservas, não é aquela discussão de 2022 sobre “o USDT vai zerar”. O mecanismo de resgate de 1 USDT por 1 dólar não é afetado por essa lei. O que é afetado é se as plataformas reguladas dentro dos Estados Unidos podem colocar o USDT na prateleira.
Para quem usa cartões virtuais em USDT, essa distinção é o que determina se vale a pena se preocupar. Organizando por camadas de rota de liquidação:
| Tipo de cartão | Grau de exposição ao GENIUS Act | Avaliação editorial |
|---|---|---|
| Cartão virtual de rota Ásia-Pacífico (como a variante Asia Elite do MPCard) | Baixo. Depósito, custódia e liquidação não passam por entidades reguladas dos EUA | Nenhuma ação necessária |
| Cartão vinculado a exchange (Bybit Card, alguns cartões de CEX) | Médio. Depende do local de registro da emissora e do grau de isolamento em relação às operações nos EUA | Observar; rotas de entidades não americanas têm impacto limitado |
| Cartão local compatível dos EUA (Coinbase Card, entre outros) | Alto. Esses produtos já usam o USDC como ativo de liquidação padrão | O acesso via USDT pode se restringir ainda mais |
Sobre o que você pode perceber concretamente: em 7 dias, nada vai mudar — ainda restam cerca de dois anos de período de transição. Em 30 dias, vale acompanhar se as emissoras vão atualizar a lista de “ativos suportados” nos termos de uso — historicamente, ajustes desse tipo começam apenas 12 meses antes da entrada em vigor da política, então ainda é cedo. Em 90 dias, é mais provável que apareçam ajustes silenciosos nas rotas de depósito: mudanças na lista de redes suportadas para depósito de USDT (TRC-20 / ERC-20 / TON) de determinados cartões, e não a retirada do USDT propriamente dito.
Para quem já usa a variante Asia Elite do MPCard para pagar assinaturas de ChatGPT, Claude e similares, o impacto real dessa notícia é praticamente zero — na cadeia conta na Ásia-Pacífico + IP na Ásia-Pacífico + BIN de cartão na Ásia-Pacífico não existe intermediário regulado americano. Quem realmente precisa replanejar são as pessoas que usam exchanges dos EUA como principal via de entrada e saída de USDT — isso é um problema de porta de entrada de capital, não um problema de cartão.
(As janelas de tempo na tabela acima são estimativas editoriais, baseadas na estrutura do período de transição da lei e no ritmo histórico de ajustes do setor; nenhum cronograma faseado oficial foi divulgado.)
Comparação histórica: parece com a onda de retiradas do MiCAR, não com o despeg do USDC em 2023
O precedente mais próximo é o MiCAR da União Europeia. O capítulo sobre stablecoins do Regulation (EU) 2023/1114 passou a se aplicar a partir de 30 de junho de 2024, e diversas exchanges licenciadas na UE restringiram ou retiraram pares de negociação em USDT para usuários do Espaço Econômico Europeu. Qual foi o resultado? A capitalização de mercado global do USDT não desabou — usuários europeus migraram para USDC e stablecoins em euro, ou passaram a operar em entidades fora da UE. Semelhança: ambos os casos controlam o acesso ao canal por meio de um regime de licenciamento, sem declarar o ativo em si ilegal. Diferença: o MiCAR exige que “o emissor obtenha autorização na UE”; o GENIUS Act determina que “prestadores de serviço não podem lidar com stablecoins não licenciadas” — o sujeito da obrigação passa do emissor para a plataforma, o que torna a aplicação mais efetiva, já que quem é penalizado são exchanges com licença americana, que não têm como escapar.
E isso não tem nada a ver com o despeg do USDC em março de 2023. Aquele episódio foi um desvio de preço de curta duração provocado pela falência de um banco de reservas (Silicon Valley Bank), corrigido em 48 horas — um evento de crédito do lado do ativo. Desta vez não há qualquer problema do lado do ativo; é um arranjo legislativo do lado do acesso. Confundir os dois leva a decisões erradas — como trocar o USDT por outra stablecoin agora, em pânico.
Um terceiro ponto de referência é o acordo de 2021 entre a Procuradoria-Geral do Estado de Nova York e a Tether: a Tether foi proibida de oferecer serviços a residentes do estado de Nova York e se comprometeu a divulgar suas re