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CLARITY Act pisa no freio no Senado: legislação cripto dos EUA emperra — seu cartão USDT será afetado?

2026-07-19

O CLARITY Act, projeto de lei sobre estrutura de mercado cripto defendido pelo governo Trump, ficou travado na fase do Senado, com queda visível na probabilidade de aprovação. Essa lei foi aprovada na Câmara no ano passado com resultado bipartidário de 294 votos a favor e 134 contra, e em maio deste ano obteve unanimidade republicana mais parte do apoio democrata no Comitê Bancário do Senado — chegando a ser vista como a última peça do quebra-cabeça regulatório cripto dos EUA. Mas, segundo reportagem do Tokenpost, jogos políticos e divergências do setor se entrelaçaram bem na “reta final”, e o relógio legislativo foi pausado. O núcleo do CLARITY Act é esclarecer a divisão de competências regulatórias entre a SEC e a CFTC sobre ativos cripto — exatamente a zona cinzenta que mais incomodou as empresas cripto americanas nos últimos três anos.

Impacto real para usuários de cartões USDT: quase zero no curto prazo

Primeiro, é preciso deixar claro: o CLARITY Act trata da classificação como valor mobiliário ou commodity dos ativos cripto — ou seja, “quem regula qual token” — e não regula diretamente a emissão e a conformidade de cartões virtuais. Portanto, o impacto direto no cartão que está na sua carteira é, no curto prazo, basicamente irrelevante.

O que realmente é afetado é a expectativa de longo prazo sobre a oferta de emissão nos EUA. Produtos profundamente vinculados a entidades regulamentadas americanas, como o Coinbase Card, são justamente os que mais esperam por um marco regulatório estável — a travada da lei significa que o cronograma para expandir funções nos EUA e liberar mais ativos continua em suspenso. Já a variante US Direct do MPCard está atualmente com emissão suspensa, situação que não muda no curto prazo por causa da paralisação do CLARITY, nem piora por causa disso.

Para a grande maioria dos leitores em português, a avaliação mais prática é: quanto mais o cartão escolhido depende de rotas americanas, mais fica preso ao ritmo legislativo dos EUA; quanto mais depende de rotas da Ásia-Pacífico, menos importa. A lógica de emissão do MPCard Asia Elite, focado em Visa da Ásia-Pacífico, e do Crypto.com Visa não se apoia na lei de estrutura de mercado dos EUA — aprovado ou não, o CLARITY não altera os caminhos de emissão e recarga desses cartões.

Expectativa de janela temporal: em 7 dias, nenhum produto de cartão ajustará taxas ou limites por causa disso; em 30 dias, emissores voltados ao mercado dos EUA podem publicar em blogs oficiais um discurso de “continuamos aguardando a legislação”, mas sem mudanças funcionais concretas; em 90 dias, se o Senado arquivar definitivamente o projeto, a inovação de produtos de entidades americanas como a Coinbase deve desacelerar visivelmente — mas, para usuários fora dos EUA, isso significa apenas “menos novidades”, não “o cartão parou de funcionar”.

Comparação histórica: em que isso difere de 2023 e do MiCAR

Olhando com mais distância, esse “início forte, final fraco” da legislação cripto americana não é inédito. Em 2023, quando a SEC processou a Coinbase, o mercado também temeu momentaneamente que os negócios de cartões nos EUA fossem prejudicados, mas no fim as operações de spot e de cartões da exchange continuaram normalmente — processos de fiscalização e marcos legislativos são duas linhas distintas: os primeiros visam casos individuais, os segundos definem regras.

A comparação com o MiCAR da União Europeia é ainda mais reveladora. O MiCAR percorreu um ciclo legislativo completo, do rascunho em 2020 à aprovação formal em 2023 e à implementação em fases a partir de 2024, dando aos emissores de cartão coordenadas claras de conformidade. É por isso que a escolha de cartão voltada a residentes da UE tem um referencial regulatório claro. A situação do CLARITY Act é justamente o oposto: tem uma base bipartidária melhor (294 votos na Câmara, uma margem muito maior que a intensidade de confronto do MiCAR no Parlamento Europeu), mas emperrou nos procedimentos do Senado e nas divergências internas do setor — não é falta de apoio, é que os apoiadores não conseguem entrar em acordo nos detalhes. Isso torna mais provável que o projeto seja “adiado”, não “morto”.

Fronteiras regulatórias: em que zona estamos agora

Para usuários de cartões virtuais USDT, é preciso distinguir três camadas de fronteira:

Avaliação-chave: a travada do CLARITY não acrescenta nenhuma nova proibição, apenas prolonga a existência da zona cinzenta. Para os cartões que os usuários fora dos EUA já possuem, o status jurídico não muda.

Pontos a acompanhar daqui para frente

Recomendação editorial

Usuários com cartões focados em rotas da Ásia-Pacífico (como a variante Asia Elite do MPCard e o Crypto.com Visa): nenhuma ação necessária. O CLARITY Act não tem qualquer interseção com seus caminhos de emissão, recarga e uso do cartão.

Usuários preocupados com cobranças de assinaturas americanas (ChatGPT Plus, Cursor Pro etc.): o que mais importa é a consistência entre o BIN do emissor e o endereço de cobrança, não essa lei. Para combinações relacionadas, veja a escolha de cartão voltada ao ChatGPT.

Usuários que planejam solicitar um cartão voltado aos EUA especificamente por causa de funções do mercado americano: recomenda-se aguardar e observar, nos próximos 90 dias, se o Senado retoma a pauta — antes que o marco regulatório se concretize, é bem provável que produtos voltados ao mercado americano continuem sem novidades funcionais, então não vale a pena travar a escolha de um cartão por causa de um cronograma em suspenso.

Resumindo em uma frase: isso é uma questão do ritmo legislativo em Washington, não do cartão que está na sua carteira. Vale acompanhar, mas não há motivo para preocupação.