O Bank for International Settlements (BIS) dedicou uma seção inteira do seu relatório econômico anual de 2026 para argumentar que as stablecoins “ainda não atendem aos padrões de moeda”. O critério usado pelo BIS são três propriedades clássicas da moeda: singularidade (singleness, uma unidade de moeda deve valer o mesmo em qualquer contexto), elasticidade (elasticity, a capacidade do banco central de expandir/contrair a oferta conforme a demanda) e integridade (integrity, proteção institucional contra fluxos de recursos ilícitos). O relatório considera que as stablecoins apresentam falhas estruturais nos três critérios e alerta especificamente sobre o impacto potencial na soberania monetária e nos fluxos de capital dos mercados emergentes. O BIS é conhecido como “o banco central dos bancos centrais” — este relatório anual não é lei, mas representa a direção do consenso entre os principais bancos centrais do mundo.
Interpretação editorial: o que isso realmente significa para usuários de cartões U
Vamos direto ao ponto: isso é uma posição, não uma proibição. O cartão virtual Asia Elite mencionado na avaliação do MPCard, ou o processo de recarregar USDT para gastar com o Bybit Card ou o RedotPay, não mudam nesta semana nem neste mês por causa deste relatório. O BIS não emite cartões, não opera rede de pagamentos e não regula Visa/Mastercard — o que ele influencia é como os bancos centrais de cada país vão legislar no futuro.
Mas o “futuro” tem um cronograma. A função real desses relatórios anuais é fornecer “munição acadêmica” para os reguladores:
- Nos próximos 7 dias: emissores de cartões e exchanges não terão nenhuma ação. O efeito de repasse desse tipo de relatório se mede em trimestres.
- Nos próximos 30 dias: vale acompanhar se bancos centrais de mercados emergentes (Turquia, Nigéria, Argentina, alguns países do Sudeste Asiático) citam os argumentos do BIS para restringir canais de conversão da moeda local para stablecoins. É exatamente esse o alvo do alerta do BIS sobre “riscos em mercados emergentes”.
- Nos próximos 90 dias: se você faz principalmente conversões entre moeda local e USDT em regiões de mercados emergentes, vale observar se os canais bancários locais estão se estreitando. Cartões de rota Ásia-Pacífico — veja o guia de conformidade do Japão e o guia de conformidade de Singapura — atualmente têm a menor probabilidade de impacto, pois esses arcabouços regulatórios para stablecoins já estão relativamente maduros.
Comparação histórica: em que este caso difere de 2023 e da MiCAR
Colocar essa notícia na linha do tempo ajuda a manter a perspectiva.
- Desatrelamento do USDC em 2023 (caso Silicon Valley Bank): aquele foi um teste real de estresse sobre a falha de “singularidade” — o USDC chegou a cair para US$ 0,87. O que o BIS chama agora de “falha na singularidade” é justamente a teorização daquele episódio. Semelhança: ambos apontam para a fragilidade das reservas e do resgate das stablecoins; diferença: em 2023 foi o mercado votando com os pés, agora é o banco central definindo a posição no papel.
- Entrada em vigor da MiCAR em 2024 (União Europeia): a UE não “proibiu” as stablecoins, mas as incorporou a uma regulação com licenciamento. A lógica do BIS é consistente com a base da MiCAR — as stablecoins precisam ser “domesticadas”, não deixadas soltas. Para entender as opções de cartão dentro de um arcabouço licenciado, veja as melhores opções para residentes da UE.
- Diferença essencial: a MiCAR é a regra concreta de “como regular”, enquanto o relatório do BIS é a base teórica do “por que regular”. Geralmente, o segundo antecede o primeiro em 12 a 24 meses. Em outras palavras, o argumento do BIS hoje pode ser o prenúncio de legislações em alguns mercados emergentes entre 2027 e 2028.
Fronteiras regulatórias: o que hoje é zona cinzenta e o que é claro
Para o usuário de cartão U, o que importa não é o que o BIS diz, mas como sua jurisdição está aplicando isso na prática:
- Claramente permitido (licenciado): União Europeia (MiCAR), Singapura e Hong Kong já têm arcabouços consolidados para stablecoins. Nessas regiões, há um caminho claro para usar cartões U de forma conforme — veja o guia de conformidade de Hong Kong e o guia de conformidade de Singapura.
- Zona cinzenta (sem lei explícita, mas não proibido): a maioria dos mercados emergentes. Este relatório do BIS é justamente uma “aula de reforço” para essas jurisdições — o que significa que a zona cinzenta pode se estreitar gradualmente nos próximos anos.
- Claramente restrito: a posição da China continental sobre restrições ao comércio de ativos cripto não mudou, veja o guia de conformidade da China continental. O relatório do BIS não altera esse cenário, mas será citado como confirmação de que “sempre estivemos certos”.
Vale destacar: o BIS discute as falhas das stablecoins como moeda, não sua ilegalidade como instrumento de pagamento. Recarregar um cartão virtual com trilha Visa usando USDT para comprar uma assinatura do ChatGPT Plus é, em essência, uma cadeia de “ativo → liquidação em moeda fiduciária” — um nível de discussão diferente do que o BIS trata ao debater “se stablecoins podem substituir a moeda soberana”.
Pontos a acompanhar daqui para frente
- Reuniões de meio de ano dos bancos centrais (julho–setembro): se citam o marco das “três propriedades” do BIS em declarações de política.
- Movimentos de controle de capital em mercados emergentes: especialmente se Argentina, Turquia e Nigéria impõem novas restrições aos canais de entrada em moeda local — essa é a variável com maior probabilidade de afetar a experiência real de depósito/saque na janela de 90 dias.
- Anúncios de emissores de cartões relevantes: se Bybit Card, MPCard e outros atualizam a disponibilidade regional nos termos de serviço. Não há nenhum indício disso até o momento, mas seria o primeiro sinal caso o relatório gere efeitos práticos.
- Acompanhamento do G20 / FSB: os argumentos do BIS costumam ser retomados pelo Financial Stability Board (FSB) como recomendações de padrões internacionais.
Recomendação editorial
- Usuários que já possuem um cartão U: nenhuma ação é necessária. Este relatório não representa risco imediato — seu cartão continua funcionando normalmente para recarga e uso.
- Usuários que fazem principalmente entrada/saída em moeda local em regiões de mercados emergentes: recomenda-se acompanhar, nos próximos 30 a 90 dias, anúncios de bancos/canais de pagamento locais e planejar rotas alternativas de depósito com antecedência. Esta é a única zona de risco explicitamente “apontada” pelo BIS.
- Usuários que planejam solicitar um novo cartão U: não há motivo para adiar por causa desta notícia. Mas, ao escolher um cartão, priorize rotas com arcabouços regulatórios já consolidados — as trilhas licenciadas da Ásia-Pacífico e da UE resistem melhor a oscilações políticas do que canais temporários de mercados emergentes; consulte o Top 5 de 2026 para comparar.
- O que não fazer: não entre em pânico e liquide posições ou troque de cartão repetidamente só porque “o banco central disse que stablecoins não são qualificadas”. O ciclo de repasse de um relatório do BIS se mede em anos — reagir de forma exagerada só aumenta seus próprios custos de taxas.
Para o argumento completo, leia diretamente a reportagem original do The Block e o texto integral do relatório anual no site oficial do BIS. Atualizaremos este artigo quando houver ações concretas subsequentes por parte dos bancos centrais.