As principais associações comerciais bancárias dos Estados Unidos apresentaram, em manifestação junto a reguladores, a proposta de que as regras de combate à lavagem de dinheiro (AML) para stablecoins não se limitem aos processos de emissão e resgate, mas também cubram o mercado secundário — ou seja, transferências on-chain carteira a carteira, trocas em DEX e movimentações peer-to-peer fora das exchanges. Segundo a reportagem da Decrypt, essas instituições defendem que as regras de AML deveriam “focar nas atividades de maior risco”, ao mesmo tempo em que preenchem a lacuna regulatória do mercado secundário. Essa posição surge no contexto da discussão sobre as regras de implementação da legislação americana de stablecoins (via GENIUS Act), com o objetivo de submeter stablecoins e bancos tradicionais ao mesmo nível de exigências antilavagem.
Análise editorial: o que isso significa para quem usa cartão U
Vamos direto ao ponto: isso é uma disputa regulatória em andamento, não uma proibição em vigor imediato. Usuários de cartões não precisam tomar nenhuma providência agora. Mas a direção apontada merece atenção de quem carrega USDT em cartões virtuais.
O funcionamento central do cartão U é “USDT on-chain → conta da emissora → saldo do cartão em moeda fiduciária”. Hoje, o foco da conformidade está em duas pontas: a exchange/carteira de onde você faz o depósito realiza o KYC, e a emissora do cartão também faz o KYC. O que o setor bancário quer agora é estender o alcance regulatório para o trecho intermediário da movimentação on-chain — de qual endereço veio o seu USDT, quantos saltos ele deu, e se passou por endereços marcados como misturadores de moedas (mixers).
O impacto direto não é “bloqueio de cartão”, mas sim uma análise de depósito mais detalhada:
- Usuários que compram cartões dentro de exchanges (como o Bybit Card) já têm seus fundos dentro de um sistema licenciado, sendo os menos afetados — a origem on-chain já passa por triagem no lado da exchange.
- Produtos que permitem depósito direto via carteira on-chain independente (como o RedotPay e a variante Asia Elite do MPCard) podem, no futuro, receber uma pontuação de risco de endereço mais rigorosa por parte das emissoras para depósitos on-chain de “origem incerta”.
- Usuários que carregam diretamente no cartão USDT recém-trocado em uma DEX, ou que passou por vários saltos entre carteiras, são o exemplo típico do “mercado secundário” que esta rodada de regulação pretende monitorar.
Nos próximos 7 dias: nada muda. Nos próximos 30 dias: é possível que algumas emissoras adicionem uma opção de “origem dos fundos” no questionário de KYC. Nos próximos 90 dias: ferramentas de pontuação de risco de endereço (tipo Chainalysis/TRM) devem se tornar mais comuns no lado de depósito das emissoras. Veja mais detalhes na seção sobre conformidade de depósitos da nossa análise do MPCard.
Comparação histórica: o que muda em relação às rodadas regulatórias anteriores
Esta não é a primeira vez que a regulação de stablecoins é reforçada. Vale comparar com três episódios:
- Desatrelamento do USDC em 2023: foi um evento de risco de mercado, e a resposta regulatória se concentrou na “transparência das reservas”, mirando o emissor. Desta vez é o oposto — o processo de emissão já está basicamente enquadrado pelo GENIUS Act, e o foco se desloca para o processo de circulação.
- MiCAR entrando em vigor na UE em 2024: a UE trouxe as stablecoins (EMT/ART) para um regime de emissão licenciada, mas também deixou zonas cinzentas na movimentação on-chain do mercado secundário. O pedido do setor bancário americano, no fundo, busca tapar o mesmo buraco que o MiCAR também não fechou completamente.
- A “Travel Rule” anterior da FinCEN: exigia que VASPs transmitissem entre si informações do remetente da transferência. A proposta atual do setor bancário pode ser entendida como uma tentativa de aplicar essa lógica de forma mais explícita às transferências entre carteiras de stablecoins.
O ponto em comum: a regulação sempre aperta seguindo “o caminho do dinheiro” rio acima. A diferença: esta é a primeira vez que transferências entre carteiras não custodiais são apontadas explicitamente como uma superfície de risco — justamente o trecho do qual mais depende o depósito on-chain de um cartão U.
Fronteiras de conformidade: quais são as zonas cinzentas hoje
É preciso distinguir três níveis:
- Claramente permitido: usar exchanges licenciadas ou emissoras de cartão em conformidade, depositando a partir de contas com KYC concluído. É o uso normal da maioria dos cartões U.
- Zona cinzenta: transferências on-chain peer-to-peer, ou depósito direto no cartão após troca em DEX. Atualmente não há proibição legal, mas é exatamente essa área que esta proposta busca trazer para dentro da regulação.
- Claramente proibido: fundos que passaram por endereços sancionados ou misturadores de moedas — essa linha nunca pode ser cruzada, seja sob regras antigas ou novas.
Para o contexto dos EUA, consulte nosso guia de conformidade dos EUA; se você usa cartões principalmente na Ásia-Pacífico, o guia de conformidade de Hong Kong e o guia de conformidade de Singapura também cobrem a interpretação local sobre a circulação no mercado secundário. É importante frisar: por enquanto, isso é apenas uma manifestação do setor em fase de apresentação de opinião, ainda não é uma regra em vigor — os detalhes de AML dependerão do texto regulatório final.
Pontos a acompanhar daqui para frente
- Se a FinCEN vai publicar uma minuta de diretriz voltada ao mercado secundário de stablecoins — este é o passo decisivo para saber se a opinião do setor se transformará em regra. Acompanhe pelo comunicado oficial da FinCEN.
- O período de comentários públicos das regras complementares do GENIUS Act — para ver se as cláusulas sobre o mercado secundário serão incorporadas às regras de implementação.
- Mudanças nos questionários de KYC das principais emissoras de cartão — se o cartão que você usa habitualmente de repente adicionar perguntas sobre “origem dos fundos/explicação da carteira”, é sinal de que essa tendência chegou ao produto.
- A abrangência das ferramentas de pontuação de risco on-chain — a velocidade com que Chainalysis/TRM se tornam comuns no lado de depósito das emissoras é um indicador antecipado de aperto real.
Recomendação editorial
- Usuários que possuem MPCard, Bybit Card e outros cartões, e os utilizam normalmente após passar pelo KYC: não é necessário fazer nada. Esta rodada é uma disputa regulatória a montante e não afeta a disponibilidade dos cartões que você já possui.
- Usuários acostumados a receber USDT on-chain peer-to-peer e carregar diretamente no cartão: recomenda-se rotear o depósito por uma exchange licenciada como intermediária, deixando um registro claro da origem dos fundos — é uma precaução de baixo custo, não porque a prática atual seja irregular.
- Usuários que planejam solicitar um novo cartão U baseado em carteira on-chain independente: não é necessário adiar a solicitação, mas ao escolher o cartão, priorize a transparência regulatória divulgada pela emissora. Confira nossos 5 melhores cartões U para usar em 2026 e o ranking dos cartões U com as menores taxas, incluindo a “clareza da conformidade de depósito” como critério de comparação.
Em resumo: essa notícia muda o nível de detalhe da análise sobre a circulação de USDT, não a sua capacidade de usar o cartão para consumo. Ficar atento à rastreabilidade da origem dos fundos é muito mais prático do que se preocupar se “amanhã o cartão será bloqueado”.