O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reafirmou em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (29 de maio) que o governo Trump não emitirá uma moeda digital de banco central (CBDC) durante seu mandato, ao mesmo tempo em que instou a Câmara e o Senado a acelerarem a aprovação do Clarity Act. Segundo reportagem do The Block, Bessent colocou “sem CBDC” e “acelerar a legislação sobre estrutura de mercado de stablecoins” na mesma declaração — não se trata de slogans isolados, mas de um conjunto coerente de sinais de política: o governo se retira da corrida por moedas digitais de varejo, deixando esse espaço para as stablecoins privadas (USDT, USDC, etc.).
O que isso significa para usuários de cartões USDT
Vamos direto à conclusão: para qualquer cartão que você já tenha em mãos, não há nenhuma ação necessária nos próximos 7 dias. Esta é uma notícia sobre direção de política, não uma mudança de regra — nenhum emissor precisa alterar taxas, KYC ou BIN por causa disso.
Mas a direção vale a pena registrar. Todo o modelo de negócio dos cartões virtuais USDT é, essencialmente, “stablecoin privada + rede de compensação Visa/Mastercard”. Um Tesouro dos EUA que declara explicitamente que “não vai competir com stablecoins privadas” abre caminho, no nível mais alto de política, para esse modelo. Se os EUA de fato lançassem uma CBDC de varejo, isso pressionaria, no longo prazo, a participação do USDT em cenários de liquidação em dólar; agora esse risco foi oficialmente descartado, com as próprias palavras do governo.
Para usuários que dependem de rotas em dólar para recarregar assinaturas ou usar serviços na região dos EUA — como quem paga o ChatGPT Plus ou o Claude Code com cartão —, isso é moderadamente positivo: o USDT que você usa para recarregar tem sua legitimidade subjacente um pouco mais consolidada na visão regulatória dos EUA.
O impacto prático para usuários da Ásia-Pacífico será mais discreto. Como reforçamos na avaliação do MPCard, a variante Asia Elite opera em rotas da Ásia-Pacífico, que seguem em trilhos paralelos aos movimentos regulatórios da região dos EUA. O mesmo vale para cartões de exchanges como o Bybit Card, muito mais sujeitos à jurisdição de suas próprias licenças (em geral, União Europeia ou Emirados Árabes Unidos) do que às declarações do Tesouro americano. Dentro de uma janela de 30 ou 90 dias, você não verá esses cartões sofrerem qualquer alteração por causa dessa fala de Bessent.
Comparação histórica: desta vez é diferente de 2022
CBDC não é um tema novo nos EUA. Em 2022, o governo Biden assinou a Ordem Executiva 14067, exigindo que o Federal Reserve estudasse a viabilidade de um “dólar digital”, e o mercado chegou a temer que uma CBDC de varejo se tornasse realidade, comprimindo o espaço de sobrevivência das stablecoins privadas. O tom daquele momento era “estudar, observar, não descartar”.
A diferença crucial desta vez é: passou-se de “estudar” para um “não fazer” explícito. A política mudou de “manter a possibilidade em aberto” para “descartar ativamente”, e o espaço liberado foi apontado nominalmente para a legislação sobre stablecoins privadas (Clarity Act). Em outras palavras, 2022 foi uma questão em aberto; 2026 é a direção se concretizando.
Outra comparação é o breve desatrelamento do USDC em 2023 — aquele episódio lembrou a todos que o ponto crítico das stablecoins está nas reservas e no arcabouço regulatório, não na tecnologia. Leis de estrutura de mercado como o Clarity Act existem justamente para resolver questões como “auditoria de reservas” e “requisitos de qualificação do emissor” — pontos fracos expostos naquela época. O avanço legislativo representa um reforço de longo prazo para as stablecoins, não uma volatilidade de curto prazo.
Fronteira regulatória: onde estamos agora
É importante deixar claro: a declaração de Bessent é uma direção de política, não uma lei já em vigor. O Clarity Act ainda está em tramitação no Congresso, sem aprovação final. Portanto, os limites de conformidade atuais não mudaram:
- Claramente permitido: usar USDT para recarregar cartões virtuais dentro do arcabouço de emissores licenciados é legal na maioria das jurisdições.
- Zona cinzenta: declaração fiscal de uso transfronteiriço do cartão, correspondência entre KYC pessoal e residência local — essas continuam sendo responsabilidades do próprio usuário, e não mudam por causa da declaração do Tesouro dos EUA.
- Ainda indefinido: as regras de licença federal unificada para emissores de stablecoins sediados nos EUA só ficarão claras quando o Clarity Act for de fato aprovado.
Para usuários da China continental, o alerta continua o mesmo: o regime interno em relação a atividades relacionadas a criptoativos é distinto do sistema americano, e uma postura “amigável” dos EUA não altera o ambiente de conformidade local — detalhes em Guia de conformidade para a China continental. Usuários de Hongkong devem continuar se guiando pela regulamentação local de stablecoins, conforme o Guia de conformidade para Hongkong.
Pontos a observar daqui para frente
- Cronograma de votação do Clarity Act no Congresso — Bessent está pressionando, mas o momento em que Câmara e Senado pautarão a votação é o fator decisivo. Só quando entrar em votação de fato é que teremos um sinal com impacto real sobre a estrutura de conformidade dos emissores.
- Resposta oficial dos emissores de stablecoins — se Tether e Circle vão se manifestar sobre essa direção de “prioridade às stablecoins privadas”.
- Movimentos das rotas de emissão na região dos EUA — a variante US Direct do MPCard está atualmente suspensa; se a legislação de stablecoins nos EUA avançar, vale acompanhar quando esse tipo de produto voltar a ser emitido.
- Postura oficial do Federal Reserve — o Tesouro diz que não vai fazer; resta saber se o Fed acompanha essa declaração, o que definirá quão firme é esse “não à CBDC”.
Recomendação editorial
- Usuários com MPCard, Bybit Card ou qualquer outro cartão existente: nenhuma ação é necessária. Trata-se de uma notícia de direção, não de mudança de regra.
- Usuários que pagam assinaturas na região dos EUA com recarga em USDT, como ChatGPT/Claude: podem registrar isso como um pano de fundo positivo de longo prazo, mas não precisam ajustar sua estratégia de recarga ou de troca de cartão por causa disso.
- Usuários que pretendem solicitar especificamente um cartão de rota dos EUA: recomenda-se continuar aguardando, e observar os detalhes de retomada dos produtos americanos apenas quando o Clarity Act entrar em votação de fato. Por ora, rotas da Ásia-Pacífico (como a variante Asia Elite) seguem sendo a opção mais estável.
- Se você está escolhendo um cartão, além da direção regulatória, a taxa é o fator que mais faz diferença no dia a dia — vale conferir o ranking geral de 2026 e a comparação de cartões com as menores taxas.
Em resumo: essa fala de Bessent é um alívio para quem aposta no longo prazo dos cartões USDT, mas hoje não exige nenhuma ação da sua parte.